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Datazap Report

DataZAP Report #105

25/03/2026
Datazap Report

DataZAP Report #105

25/03/2026

As principais notícias do mercado imobiliário entre 19 a 25 de março, comentadas por nossos especialistas.

Redução da taxa Selic e o mercado imobiliário

Em 18 de março de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou a redução da taxa básica de juros (Selic), passando de 15% para 14,75% ao ano. Essa é a primeira queda desde maio de 2024, e marca a retomada da queda de juros após quase um ano. Porém, essa decisão ocorreu em meio ao contexto do conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã. Segundo a expectativa do boletim Focus, pesquisa semanal que ouve analistas do mercado financeiro, antes do início do conflito, a previsão era redução de 0,5 ponto percentual, para 14,5% ao ano. Após isso, o mercado passou a projetar um corte menor, que foi o anunciado.

Para o mercado imobiliário, embora 14,75% ainda seja uma taxa elevada em termos históricos, o ciclo de cortes esperado da Selic tende a melhorar gradualmente as condições de crédito ao longo de 2026. Os juros mais baixos podem impulsionar o setor favorecendo a demanda por financiamento e estimulando assim a aquisição de imóveis.

Contudo, essa redução cautelosa de 0,25 p.p. reflete uma postura moderada diante de incertezas econômicas, e pode ser vista como o início de uma recuperação gradual. O Copom, em seu comunicado, deixou as portas abertas para todos os cenários possíveis, ou seja, tanto para continuar nesse ritmo de 25 (pontos-base) ou para acelerar se a guerra acabar e o petróleo ceder nas próximas semanas. No entanto, se o conflito perdurar por mais tempo, há risco de acarretar em um ritmo de cortes da Selic mais lento do que o esperado. Em consequência, além do crédito imobiliário caro por mais tempo, o encarecimento do petróleo (e de seus derivados) afeta diretamente os custos de insumos da construção civil, como cimento, aço, e também impacta nos custos logísticos. Então a velocidade que esse movimento vai acontecer ainda dependerá do comportamento da inflação e das condições externas.


O novo cenário do mercado imobiliário de luxo em 2026

O mercado imobiliário de alto padrão passa por uma transformação significativa, equilibrando recordes financeiros com uma mudança no comportamento do consumidor. Em 2025, o setor no Brasil movimentou R$ 52,2 bilhões, impulsionado por cidades como Florianópolis e João Pessoa. 

No entanto, esse crescimento de 35% no faturamento relaciona-se com uma acomodação no volume de vendas em capitais tradicionais como São Paulo. Isso indica que, embora menos unidades estejam sendo negociadas, o valor de cada transação subiu, concentrando o mercado em produtos de superluxo e altíssimo valor agregado.

Essa nova fase é marcada pela busca por exclusividade e conveniência. No cenário internacional, os compradores mais ricos estão migrando para o modelo de “vendas invisíveis” (off-market), onde as propriedades são negociadas de forma privada para garantir total discrição. Além disso, o conceito de moradia evoluiu: o foco é em serviços de hotelaria integrados, tecnologia e uma rede de contatos exclusiva. O imóvel deixou de ser apenas um patrimônio fixo para se tornar um investimento seguro e valorizado associado ao estilo de vida, adaptado a um público que valoriza a segurança e a agilidade tanto quanto o conforto.


FipeZAP: aluguel sobe 0,94% em fevereiro/2026 e supera IPCA

De acordo com o índice FipeZAP, que monitora o mercado de locação no Brasil (36 cidades), os preços registraram alta de 0,94% em fevereiro de 2026, o que representou intensificação em relação a janeiro (0,65%) e, dessa forma, manteve o índice acima dos indicadores de inflação IPCA/IBGE (0,70%) e do IGP-M/FGV (-0,73%).

Entre as capitais, Manaus (4,03%), Campo Grande (3,23%), Aracaju (2,87%), Vitória (2,69%) e Goiânia (2,26%) apresentaram variação mensal acima de 2%, enquanto Teresina (-0,28%) e São Luís (-0,39%) apresentaram variação negativa. Já Florianópolis, São Paulo, Belém, Fortaleza, Belo Horizonte e Curitiba, embora não tenham apresentado variação negativa, ficaram abaixo do IPCA. No acumulado de 12 meses, Manaus (2,12%) e Campo Grande (-5,24%) aparecem com percentual abaixo do IPCA (3,81%). Por outro lado, Vitória (18,99%), Teresina (18,70%) e Cuiabá (17,58%) tiveram as maiores variações positivas, indicando um mercado de locação forte e estável. Fora das capitais, destaque para Niterói e Santo André, com variação mensal de 3,28% e 2,47%, respectivamente. No recorte dos últimos 12 meses, Niterói (18,07%) e Pelotas (16%) obtiveram as maiores variações entre as cidades monitoradas.

O preço médio do aluguel foi de R$ 51,89/m² em fevereiro de 2026. As capitais com os maiores preços médios foram Belém (R$ 63,79/m²), São Paulo (R$ 63,28/m²), Recife (R$ 62,29/m²), Florianópolis (R$ 60,49/m²), São Luís (R$ 57,73/m²) e Rio de Janeiro (R$ 56,71/m²). No outro extremo, as capitais com os menores preços médios foram Campo Grande (R$ 29,39/m²), Teresina (R$ 29,51/m²) e Aracaju (R$ 31,94/m²). Considerando o preço por número de dormitórios, a tipologia de 1 dormitório segue sendo a de maior preço (R$ 69,17).

A rentabilidade do aluguel segue estável, com leve crescimento. No mês de fevereiro, a rentabilidade ficou em 6,03% a.a. Ao observar a tipologia por quantidade de dormitórios, verifica-se que, quanto menor a quantidade de dormitórios, maior a rentabilidade, com os de 1 dormitório apresentando média de 6,70% a.a. e os de 4 ou mais dormitórios, a menor média (4,92%). Recife (8,53%), Belém (8,35%) e Cuiabá (8,32%) são as capitais com maiores taxas anuais, enquanto Curitiba (4,72%), Fortaleza (4,63%) e Vitória (4,43%) aparecem abaixo da média e com as menores taxas.


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