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Datazap Report

DataZAP Report #104

18/03/2026
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DataZAP Report #104

18/03/2026

As principais notícias do mercado imobiliário entre 12 a 18 de março, comentadas por nossos especialistas.

Financiamentos imobiliários com recursos da poupança caem 8% em janeiro para R$ 12,1 bilhões, diz Abecip

A Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) divulgou o resultado mensal de janeiro das operações contratadas com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), do saldo da poupança e projeções para a concessão de crédito imobiliário em 2026.

A quantidade de operações totais (aquisição e construção) em janeiro foi de 37,5 mil e o valor de R$ 12,1 bilhões. Ambos os resultados são inferiores aos do mesmo mês de 2025 em, respectivamente, 5,5% e 8,2%. No acumulado de 12 meses, a variação das unidades foi de 16% e do volume de crédito de 15,7%.

Projeções da Abecip

Fonte de recursosVar. % nominalValor R$
SBPE15%180 bilhões
FGTS5%145 bilhões
Livre66%51 bilhões
Total16%

A projeção da Abecip para a concessão do SBPE é bem realista, tendo em vista que a queda da Selic deve começar a surtir efeito no mercado imobiliário no segundo semestre. Se a previsão da entidade se concretizar, a concessão será parecida com a obtida em 2024 em termos nominais. No cenário atual (que conta com uma duração breve do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã), o ano de 2026 marcará o início da retomada do crédito no segmento de médio e alto padrão.


Governo propõe ampliar faixas de renda do Minha Casa, Minha Vida e pode expandir acesso ao crédito habitacional

O governo federal apresentou uma proposta de ampliação dos limites de renda do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), iniciativa que pode expandir o número de famílias elegíveis ao financiamento habitacional. A proposta prevê a atualização dos tetos de renda das faixas do programa, adequando seus critérios à evolução da renda das famílias e às mudanças recentes no mercado imobiliário.

Entre as alterações sugeridas:
Faixa 1 passaria de R$ 2.850 para R$ 3.200;;
Faixa 2 passaria de R$ 4.700 para R$ 5.000;
Faixa 3 seria ampliada de R$ 8.600 para R$ 9.600;
Faixa 4 de R$ 12.000 para R$ 13.000.

A implementação das mudanças, contudo, ainda depende de aprovação do Conselho Curador do FGTS.

Paralelamente, também está em discussão a ampliação do valor máximo dos imóveis financiáveis pelo programa. Os novos limites poderiam alcançar aproximadamente R$ 400 mil na Faixa 3 e R$ 600 mil na Faixa 4, o que ampliaria o alcance do programa para famílias de renda mais elevada e contribuiria para alinhar os parâmetros do financiamento ao aumento recente dos preços dos imóveis.

De acordo com estimativas apresentadas ao grupo técnico do FGTS, a ampliação das faixas de renda implicaria um impacto adicional de cerca de R$ 500 milhões no orçamento do fundo, elevando o montante destinado a subsídios e descontos de aproximadamente R$ 12,5 bilhões para R$ 13 bilhões. Caso confirmada, essa alocação representaria o maior volume de recursos destinados a esse tipo de incentivo desde 2011.

Em termos estruturais, a proposta busca reduzir o desalinhamento entre a renda das famílias, as condições de financiamento disponíveis e o atual nível de preços do mercado imobiliário. Caso aprovada, a medida tende a ampliar o contingente de famílias aptas a acessar crédito habitacional em condições favoráveis, com potencial para estimular a demanda por imóveis especialmente nos segmentos econômico e de classe média. 


A volta do financiamento de imóveis de luxo

No final de fevereiro de 2026, a Caixa Econômica Federal anunciou a retomada do financiamento imobiliário para imóveis com valor acima de R$ 2,25 milhões, utilizando recursos da caderneta de poupança. A medida encerra uma suspensão que vigorava desde outubro de 2024, quando o banco priorizou o crédito para imóveis de menor valor, em resposta ao cenário econômico da época. Com a reabertura dessa linha de crédito, compradores de imóveis de alto padrão voltam a ter acesso facilitado ao financiamento, ampliando as opções de aquisição e movimentando um segmento importante do mercado imobiliário brasileiro.

Para corretores, imobiliárias e incorporadores, a decisão representa uma oportunidade significativa de negócios. A volta do crédito para imóveis de alto valor tende a aquecer o segmento de luxo, estimulando lançamentos, negociações e parcerias estratégicas. Corretores poderão atender a uma demanda reprimida, enquanto imobiliárias e incorporadoras ganham fôlego para investir em novos empreendimentos e estratégias de marketing voltadas ao público de maior poder aquisitivo. Além disso, a medida pode gerar maior rotatividade no estoque de imóveis de alto padrão, contribuindo para a dinamização do setor e para o fortalecimento das relações comerciais em toda a cadeia imobiliária.


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