As principais notícias do mercado imobiliário entre 5 a 11 de março, comentadas por nossos especialistas.

Consórcio MEZ-RZK conquista obra bilionária do novo centro administrativo de São Paulo
O Consórcio MEZ-RZK Novo Centro foi o vencedor do leilão da Parceria Público-Privada (PPP) destinada à construção e operação do Novo Centro Administrativo do Governo do Estado de São Paulo, uma das mais relevantes iniciativas de requalificação urbana e modernização da infraestrutura pública atualmente em curso na capital.
Realizado na sede da B3, em São Paulo, o certame contou com a participação de dois grupos. O consórcio vencedor, MEZ-RZK Novo Centro, é composto pelas empresas Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos Imobiliários e Iron Property Ltda. O outro concorrente foi o Consórcio Acciona-Construcap, formado pela espanhola Acciona e pela brasileira Construcap, tradicional empresa do setor de obras e infraestrutura.
O MEZ-RZK garantiu a concessão ao oferecer um desconto de 9,62% sobre o valor máximo da contraprestação mensal, inicialmente fixada em R$ 76,6 milhões, que será paga pelo governo estadual ao longo do contrato.
O projeto prevê investimentos estimados em cerca de R$ 6 bilhões e um prazo contratual de 30 anos, período durante o qual o consórcio será responsável pela construção, operação e manutenção do complexo. A iniciativa integra a estratégia do governo estadual de concentrar em um único espaço moderno e funcional os órgãos atualmente distribuídos por mais de 40 endereços, buscando maior eficiência administrativa e redução de custos operacionais no médio e longo prazo.
Localizado na região dos Campos Elíseos, no centro da capital, o empreendimento deverá abrigar aproximadamente 22 mil servidores em um conjunto composto por sete edifícios e dez torres, reunindo o gabinete do governador, secretarias e demais órgãos estaduais.
Para além da função administrativa, o projeto é apresentado pelo governo como uma iniciativa de revitalização urbana, com potencial de requalificar áreas centrais, dinamizar a economia local e gerar empregos — estimados em cerca de 38 mil durante as obras e aproximadamente 2,8 mil após a conclusão. Estão previstas ainda melhorias de infraestrutura urbana, restauração de imóveis históricos, ampliação de áreas verdes e implantação de espaços comerciais e de serviços no entorno. O leilão, contudo, ocorreu em meio a protestos de movimentos por moradia, que manifestaram preocupação com possíveis desapropriações e impactos sociais na região central.
O Novo Centro Administrativo representa um marco na política de parcerias público-privadas do Estado e sinaliza um movimento de modernização da gestão pública, aliado à estratégia de reocupação e reestruturação do centro de São Paulo.
Mercado de trabalho aquecido

No início de 2026, o mercado de trabalho brasileiro apresentou sinais positivos, conforme apontam dados recentes do IBGE. A taxa de desemprego caiu para 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, mostrando estabilidade em relação ao período anterior e uma redução significativa em comparação ao ano passado. Além disso, o número de trabalhadores informais atingiu o menor nível desde 2020, representando 38,1% da força de trabalho, o equivalente a cerca de 39 milhões de pessoas. Esse movimento reflete uma melhora na qualidade do emprego, com aumento das vagas formais e redução da informalidade, indicando que mais brasileiros estão conseguindo empregos com carteira assinada e maior proteção social.
Essas mudanças no cenário do emprego têm impacto direto no mercado imobiliário. Com mais pessoas empregadas formalmente, cresce a confiança do consumidor e a capacidade de acesso ao crédito, fatores essenciais para a compra de imóveis e o aquecimento do setor. A redução da informalidade também facilita a comprovação de renda, tornando mais pessoas aptas a financiar a casa própria. Assim, a melhora nos indicadores de emprego tende a impulsionar a demanda por imóveis, beneficiando construtoras, imobiliárias e toda a cadeia produtiva ligada ao setor habitacional.
https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/03/05/desemprego-pnad-janeiro-ibge.ghtml

FipeZAP Venda Residencial – Preços de venda residencial avançam 0,32% em fevereiro
O Índice FipeZAP de Venda Residencial, que acompanha a variação dos preços de imóveis em 56 cidades brasileiras, embora tenha iniciado o ano marcando o menor avanço mensal desde março de 2021, o informe de Fevereiro de 2026 registrou alta média de 0,32%, o que representou uma aceleração em comparação ao mês de janeiro (+0,20%).
Na comparação com outros índices de referência do mercado, o IGP-M exibiu queda de 0,73% dos preços da economia brasileira, enquanto que a prévia da inflação ao consumidor (IPCA-15) de fevereiro mostrou aumento médio de 0,84%. Já no acumulado de 12 meses, o Índice FipeZAP passou a registrar valorização acumulada 5,74%, resultado que fica acima da variação tanto do IGP-M (-2,67%) quanto da inflação ao consumidor IPCA-15 (+3,96%) .
Com relação a valorização mensal entre tipologias, a elevação em fevereiro foi relativamente maior entre imóveis menores com um dormitório (+0,45%), enquanto que unidades com três dormitórios registraram apenas uma discreta variação mensal (+0,02%). No acumulado de 12 meses, em termos de valorização, imóveis com um dormitório se destacam (+7,46%), e imóveis maiores de três dormitórios apresentam menor variação (+4,96%).
Referente ao preço médio de venda residencial, em fevereiro o preço médio nacional foi de R$9.673 /m². Considerando as 22 capitais que integram a amostra do índice FipeZAP, em fevereiro Vitória (ES) foi a cidade com o maior preço médio (R$14.429 /m²), seguida de Florianópolis (R$13.011 /m²). Entre tipologias, os imóveis que apresentaram o maior preço médio foram de um dormitório (R$11.777/m²), enquanto as unidades com dois dormitórios registraram o menor valor (R$8.686/m²).
Quando observado por região, em fevereiro a alta abrangeu 49 das 56 cidades monitoradas, incluindo 19 das 22 capitais, com destaque para Belém (+2,18%), Campo Grande (+1,33%), Brasília (+1,23%) e Vitória (+1,23%). E em contrapartida, houve recuo nos preços em Curitiba (-0,66%), Belo Horizonte (-0,42%) e João Pessoa (-0,29%). Já no acumulado do ano, todas as 56 cidades registraram valorização imobiliária, incluindo as 22 capitais, com destaque para Salvador e Belém que lideram com alta de 14,41% e 14,32%, respectivamente.
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