As principais notícias do mercado imobiliário entre 23 e 29 de abril, comentadas por nossos especialistas.

Aumento no número de domicílios alugados
Os resultados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Anual de 2025 foram divulgados pelo IBGE no mês de abril. A Pnad Contínua é uma pesquisa nacional de caráter amostral que investiga os temas trabalho, população, educação e habitação. Os indicadores de mercado de trabalho são divulgados mensal e trimestralmente, enquanto os demais temas saem uma vez ao ano.
No tema habitação, destaca-se o aumento do número de domicílios particulares permanentes, que passou de 66,7 milhões em 2016 para 79,3 milhões em 2025. Domicílio particular permanente é o conceito do IBGE para designar habitação. Dentre as habitações, cresceram a quantidade e a participação que é alugada. Em 2016, eram 12,2 milhões de domicílios locados, representando 18,4% do total. Já em 2025, esses valores são de 18,9 milhões e 23,8%, respectivamente.
Todas as demais condições de ocupação de moradias, a saber, própria já quitada ou ainda pagando, cedida e outra, avançaram em termos absolutos, porém em menor intensidade. Cerca de 83% dos domicílios eram casas e 17% apartamentos.
Ainda no tema habitação, a Pnad Contínua Anual traz informações sobre o padrão construtivo das moradias. Em 2025, um terço das moradias do Brasil têm telha com laje de concreto como material predominante da cobertura. Esse percentual sobe para 49% na região Sudeste. A predominância de alvenaria/taipa com revestimento nas paredes das habitações chegou a quase 90%. Há também dados sobre tipo de piso, acesso às redes gerais de abastecimento de água, esgoto e energia e destinação do lixo.
Os dados da Pnad Contínua são valiosos para o mercado imobiliário em geral, setores da construção civil e políticas públicas, pois ajudam a dimensionar a demanda por unidades habitacionais e a necessidade de reformas em cada unidade da federação, chegando até os municípios das capitais.
Escritórios de alto padrão em São Paulo têm menor vacância em 14 anos

A combinação de menor oferta e maior demanda voltou a pressionar o mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo no início de 2026. A taxa de vacância recuou para 14,7% no 1º trimestre (menor nível desde 2012), enquanto o valor pedido atingiu R$ 121/m² por mês. Em doze meses, a vacância diminuiu 4,7 p.p. Em relação ao trimestre anterior, recuou 1,2 p.p., o que sinaliza uma virada desse mercado, segundo a Newmark. A absorção líquida somou 94 mil m², e a bruta, 154,8 mil m², em um estoque total de 5,79 milhões de m² nas classes AAA, AA e A. O movimento reflete a preferência por ativos modernos e bem localizados.
A retomada, porém, é desigual entre microrregiões. Pinheiros liderou a absorção líquida no trimestre (18 mil m²), seguida por JK (16,4 mil m²) e Chucri Zaidan (16 mil m²), polos bem estruturados e consolidados que concentram tecnologia e finanças. Nos preços, o topo segue concentrado na região da Faria Lima, Faria com preço de R$ 311,97/m², Itaim R$ 300 e JK R$ 276,3. Do lado da oferta, há 356 mil m² previstos para 2026 (+6,7% do estoque atual), com baixo risco de desequilíbrio no curto prazo, dada a capacidade de absorção em regiões consolidadas.
As oportunidades concentram-se na busca por eficiência, localização e infraestrutura. Há espaço em ativos com vacância remanescente em Pinheiros, JK e Chucri Zaidan. Embora o risco no curto prazo seja baixo, deve-se considerar que 2026 é ano eleitoral e a expectativa é de crescimento mais moderado. O PIB deve avançar cerca de 1,8% em 2026, abaixo dos 2,3% registrados em 2025, com inflação próxima de 4% e taxa Selic ao redor de 12% no fim do ano.

Alta no aluguel comercial chegou a 3,26% no primeiro trimestre, aponta índice FipeZAP
O Índice FipeZAP de Venda e Locação Comercial, que acompanha os preços de salas e conjuntos comerciais de até 200m² em 10 cidades brasileiras, registrou avanço de 0,58% nos preços de venda no primeiro trimestre, enquanto o aluguel comercial evoluiu, em média, 3,26% no período. Quando observada a partir de outros índices de referência do mercado, o IPCA (IBGE) e o IGP-M (FGV) registraram avanços de 1,92% e 0,19%, respectivamente.
Na análise do último mês, os preços de venda de salas e conjuntos comerciais de até 200 m² avançaram 0,30% em março de 2026, enquanto os preços de locação do segmento registraram um aumento médio de 0,89% no mesmo período. Dentre as 10 cidades monitoradas pelo índice FipeZAP, Porto Alegre (+0,87%) apresentou a maior valorização no preço de venda comercial, enquanto Florianópolis (-0,37%) teve a menor variação mensal neste segmento. Já em locação comercial, Salvador (+3,70%) se destaca, e Niterói (-0,86%) tem a menor variação registrada.
Com relações aos preços médios, na amostra do Índice FipeZAP Comercial de março de 2026 o valor médio de salas e conjuntos comerciais com até 200 m² foi de R$ 8.709 /m² no caso de imóveis disponíveis para venda, e de R$ 51,63/m² entre unidades comerciais destinadas à locação. Entre as cidades monitoradas, os maiores preços médios registrados tanto em venda (R$ 10.491/m²) quanto em locação (R$ 60,31/m²) são de São Paulo. Já os menores preços são de Salvador (R$ 5,657 /m²) em venda, e Porto Alegre (R$ 34,19 /m²) em locação.
Rentabilidade do aluguel comercial
O índice FipeZAP traz também o indicador rental yield, que calcula uma medida da rentabilidade para o comprador que opta por investir em imóveis com a finalidade de obter renda com o aluguel. Além disso, esse indicador pode ser útil para avaliar a atratividade da locação de salas e conjuntos comerciais em relação a alternativas de investimento disponíveis no mercado. Em março de 2026 especificamente, o retorno médio do aluguel de imóveis comerciais subiu para 7,35% ao ano, mantendo-se acima da rentabilidade projetada para a locação de imóveis residenciais 6,05% ao ano). Entre as localidades monitoradas a maior taxa de retorno foi em Salvador (10,73% a.a) e a menor registrada foi em Curitiba (5,96% a.a).
O relatório do Índice FipeZAP Comercial é uma ferramenta essencial para os agentes que atuam no mercado imobiliário. As análises regionais ajudam a identificar mercados com maior valorização, funcionando como referencial para a tomada de decisão na estruturação de estratégias e para o direcionamento de esforços de captação e investimentos.
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